Ao longo da minha trajetória como professor, observei um padrão bastante claro.
Os melhores alunos da faculdade — aqueles que estudavam, perguntavam, tinham curiosidade intelectual, aceitavam correções e buscavam compreender os assuntos com profundidade — frequentemente se aproximavam de mim. Muitos se tornaram amigos. Alguns se tornaram orientandos. Outros seguiram caminhos acadêmicos e profissionais sólidos, mantendo uma relação de respeito e troca intelectual.
Por outro lado, os alunos mais problemáticos, desrespeitosos, resistentes ao estudo e incomodados com qualquer forma de exigência acadêmica quase nunca gostavam de mim.
Isso nunca me surpreendeu.
Um professor que cobra leitura, exige precisão conceitual, corrige erros e não transforma a sala de aula em entretenimento dificilmente será admirado por quem não deseja ser confrontado pelas próprias limitações.
Hoje, vejo esse mesmo padrão se repetir nas redes sociais.
Quem estuda, lê, pesquisa e entende minimamente a responsabilidade de ensinar tende a compreender a importância da crítica, da terminologia correta e da fundamentação científica. Mesmo quando discorda, discorda com argumento.
Já quem vive de frases prontas, apelo emocional, slogans vazios e autoridade performática geralmente reage mal a qualquer correção. Não debate o conceito. Ataca a pessoa. Não apresenta evidência. Reclama do tom. Não lê o artigo. Mas se sente profundamente ofendido quando alguém aponta a inconsistência.
No fundo, a reação à crítica costuma revelar mais sobre a formação de quem reage do que sobre o conteúdo criticado.
Ensinar nunca foi agradar todo mundo. Ensinar é, muitas vezes, incomodar quem se acomodou no erro.